The importance of what’s at stake / A importância do que está em jogo


Em português

Neil Romanek wrote a great article for TwelvePoint – A Tale of Two Star Wars – about why, technically speaking, The Phantom Menace (Star Wars first prequel) fails as a film. He points out that, after watching the much expected prequel, he left the theatre with a “bad feeling”. That was exactly how I felt too. I didn’t like it either and could easily blame Jar Jar Bins for it but I know it in’t just that. There are loads of reasons to dislike it. In fact, a documentary has been produced by Star Wars fans exploring why the 3 prequels simply don’t work.

I’ve never bothered to actually examine The Phantom Menace to try and understand the reasons why the film fails so dismally. I simply dismissed it and moved on – to dislike the following two prequels even more. I just preferred to ignore their existences. In fact, I stick to the first and second Star Wars films as my favourites – The Empire Strikes Back being the best sequel ever.

But Neil has a point when it comes to being a screenwriter – if there’s something about a film you think doesn’t work, you must try and identify what it is. It’s part of the job. So he went on analysing The Phantom Menace and found a very crucial mistake: a script structural problem. Normally, that’s where films fail – and that’s why understanding structure is so important. He points out that the stakes in the The Phantom Menace aren’t high enough. I couldn’t agree more. This may not be the only problem of the script but it’s certainly a big one.

He says in the article:

“High stakes are essential to telling a good story. ‘High stakes’ doesn’t have to mean the threat of a bomb exploding in five minutes: a teen’s parents coming home in five minutes is more than enough to put us on the edge of our seats. It isn’t threats of physical torment that determine the height of the stakes either since a missed bus can be the most devastating moment in a character’s life.

What determines the height of the stakes is how far apart the poles are of success and failure as well as the character’s depth of commitment. There is little middle ground in the best stories. In the movies we love, a character may strive for great success but the penalties for failure are equally great.”

This is absolutely true. When Neil compares the stakes for the five main characters in the two films, this becomes very clear:

“In Star Wars:

. LUKE must deliver R2D2 safely into the hands of the rebellion. If he fails, the fully-operational Death Star will mean the end of the rebellion.

. DARTH VADER must retrieve the stolen Death Star plans and learn the location of the secret rebel base. If he fails, the rebels could destroy the Death Star and cripple the power of the Empire, and he will have a great deal of explaining to do to the Emperor.

. HAN SOLO must pay back Jabba The Hutt. If he fails, he will be a fugitive, fleeing bounty hunters and ruthless gangsters for the rest of his life (and, wonderfully, he does fail in order that the other characters may succeed).

. PRINCESS LEIA must retrieve the plans for her fellow rebels. If she fails, it will mean the end of the rebellion.

. OBI-WAN KENOBI must deliver the plans safely to the rebels. If he fails, it will mean the end of the rebellion.

Looking at The Phantom Menace, we see a different picture:

. QUI-GON JINN must negotiate a peace between the Trade Federation and the Naboo. If he fails the Trade Federation may take over the planet Naboo.

. QUEEN AMIDALA must stop the Trade Federation from dominating her planet. If she fails she will no longer rule and her planet will be controlled by someone else.

. DARTH SIDIOUS must make Queen Amidala sign a treaty with the Trade Federation. If he fails, the status quo will probably continue.

. ANAKIN SKYWALKER must increase his understanding of The Force and return to Tatooine to free his mother and the slaves. If he fails, he will have broken his promise to his mother. (It’s worth noting that he does fail at this with no real consequences to anyone, including himself.)

. JAR-JAR must do what he can to help Qui-Gon and Obi-Wan. If he fails, it’s doubtful the Jedis’ mission would be negatively affected and the status quo will continue.

The lack of consistent high stakes in The Phantom Menace is the movie’s main flaw. Almost across the board, the price of a character’s failing is simply that the status quo will continue or the slack will be picked up by some other character.”

He also mentions something really valuable: “Also note how in Star Wars all the characters – protagonists and antagonists – are bound together by the same problem. Whatever the outcome is, every character will be permanently affected. It is simply not possible for any of principal characters – or minor characters, for that matter – to pass through the story without being changed for the worse or the better. In fact, no one in the entire galaxy will be unaffected by how the story plays out. Those are high stakes.”

Stakes are crucial in any script and, as Neil says, they don’t need to be a literal life/death situation – but the distance between achieving and failing has to be steep. It’s something to think about when writing your stories: stakes are vital not only for the protagonist but, ideally, for all main characters and their goals should be related somehow – all characters’ objectives/goals should relate to the protagonist’s ultimate goal. I’ll go back to some of my stories and examine them more carefully. Thanks for that, Neil!

Neal Romanek’s article “A Tale of Two Star Wars” was published at TwelvePoint.com.

Neil’s website is: http://www.nealromanek.com/. There you’ll also find an article about structure analysis where he looks into some Star Wars sequences “Introduction to the Sequence Structure“.

 ***


In English

A importância do que está em jogo

Neil Romanek escreveu um artigo excelente para a TwelvePoint – A Tale of Two Star Wars – sobre por que, em termos técnicos,  A Ameaça Fantasma (o primeiro prequel de Guerra nas Estrelas) não funcionou como filme. Ele ressalta que, depois de assistir ao tão ansiosamente esperado Episódio I, saiu do cinema com uma “sensação ruim”. Foi exatamente assim que me senti. Não gostei do filme e culpei o Jar Jar Bins, mas não era essa a razão. Havia muitas razões para não gostar do filme. De fato, um documentário foi produzido por fãs de Guerra nas Estrelas falando sobre as razões pelas quais os três episódios novos simplesmente não funcionam.

Eu nunca tinha me dado ao trabalho de examinar A Ameaça Fantasma para tentar entender as razões do fracasso. Simplesmente ignorei e segui em frente – apenas para desgostar ainda mais dos 2 filmes seguintes. Preferi ignorar suas existências. Na verdade, prefiro me ater ao primeiro e segundo Star Wars como os meus favoritos – sendo O Império Contra-Ataca, o melhor segundo episódio de todos os tempos.

Mas Neil levanta uma questão relevante quando se trata de ser roteirista – se há algo em um filme que você sente que não funciona, é preciso tentar identificar o que é. Faz parte do trabalho. Então, ele analisou A Ameaça Fantasma e descobriu um erro crucial: um problema na estrutura do roteiro. Normalmente, a estrutura é o ponto onde muitos filmes falham – por isso entender estrutura é tão importante. Ele aponta para a questão dos stakes, ou seja, o que está em jogo. Em A Ameaça Fantasma o que esté em jogo não é forte o suficiente. Concordo em gênero, número e grau. Esse pode não ser o único problema do filme ou do roteiro mas certamente é um problemão.

Ele diz no artigo:

“A importância do que está em jogo é essecial quando se trata de contar uma boa estória. Essa importância (do que está em jogo) não tem que ser a ameaça de uma bomba explodir a cada cinco minutos; os pais de um adolescente estarem para chegar em cinco minutos é mais do que suficiente para nos fazer roer as unhas. Não são ameaças de tortura física que determinam a importância do que está em jogo tampouco, pois perder o ônibus pode ser o momento mais devastador na vida de um personagem.

O que determina a importância do que está em jogo é o quão distantes estão os dois pólos entre sucesso e fracasso, assim como o quão o personagem está engajado. Existe pouco escopo para se ficar em cima do muro nas melhores estórias. Nos filmes que adoramos, o personagem pode lutar absurdamente para obter sucesso mas as penalidades para o fracasso são imensas.”

Isso é totalmente verdadeiro. Neil compara o que está em jogo nos cinco personagens principais dos dois filmes e essa premissa se torna clara:

“Em Guerra nas Estrelas:

. LUKE precisa entregar o R2D2 em segurança nas mãos dos rebeldes. Se ele falhar, a Estrela da Morte se tornará totalmente operacional e isso significará o fim da rebelião.

. DARTH VADER precisa recuperar os diagramas roubados da Estrela da Morte e localizar a base secreta dos rebeldes. Se ele falhar, os rebeldes poderão destruir a Estrela da Morte, o que irá fragilizar o poder do Império – e ele ainda vai ter que se explicar ao Imperador.

. HAN SOLO precisa pagar sua dívida com Jabba The Hutt. Se ele falhar, vai se tornar um fugitivo tentando escapar de caçadores de recompensas e gangsters malvados para o resto da vida (e, de forma maravilhosa, ele falha neste objetivo, de forma a possibilitar que outros personagens tenham sucesso).

. PRINCESA LEIA precisa recuperar os diagramas para os seus companheiros rebeldes. Se ela falhar, será o fim da rebelião.

. OBI-WAN KENOBI precisa entregar os diagramas em segurança aos rebeldes. Se ele falhar, será o fim da rebelião também.

Analisando A Ameaça Fantasma, vemos um cenário diferente:

. QUI-GON JINN precisa negociar a paz entre a Trade Federation e Naboo. Se ele falhar, a Trade Federation poderá tomar o poder em Naboo.

. RAINHA AMIDALA precisa impedir que a Trade Federation domine seu planeta. Se ela falhar, ela não será mais a regente e seu planeta passará a ser controlado por outra pessoa.

. DARTH SIDIOUS precisa fazer com que a Rainha Amidala assine o tratado com a Trade Federation. Se ele falhar, o status quo provavelmente continuará o mesmo.

. ANAKIN SKYWALKER precisa aumentar seu conhecimento da Força e voltar a Taooine para libertar sua mãe e os escravos. Se ele falhar, ele vai ter quebrado a promessa que fez à sua mãe (vale notar que ele falha nesse objetivo, sem que isso tenha nenhuma consequência real para ninguém, incluindo para ele mesmo).

. JAR-JAR precisa fazer o possível para ajudar Qui-Gon and Obi-Wan. Se ele falhar, é pouco provável que a missão dos Jedi seja afetada negativamente e o status quo permanecerá o mesmo.

A falta de consistência naquilo que está em jogo é a principal fraqueza de A Ameaça Fantasma. Em quase todas as situações, o preço a se pagar se o personagem falhar em sua missão é apenas que o status quo continuará o mesmo ou que algum outro personagem assumirá o lugar.”

Ele também coloca algo muito valioso: “Perceba também como em Guerra nas Estrelas todos os personagens – protagonistas e antagonistas – estão ligados pelo mesmo problema. Qualquer que seja o resultado final, cada personagem será permanentemente afetado. É simplesmente impossível para qualquer um dos personagens principais – e até aos personagens secundários – passar pela estória sem ser afetado para melhor ou para pior. Na verdade, ninguém na galáxia inteira deixará de ser afetado por como a estória vai se desenrolar. O que está em jogo é muito importante.”

O que está em jogo é importante em qualquer roteiro e, como diz Neil, não precisa ser uma situação de vida ou morte – mas a distância entre ter sucesso ou fracassar precisa ser grande. É algo a se pensar quando se está elaborando a estória: o que está em jogo não é vital apenas para o protagonista mas, idealmente, para todos os personagens principais e seus objetivos precisam estar relacionados de alguma forma – todos os objetivos/metas devem se relacionar ao objetivo/meta do protagonista. Eu vou rever algumas das minhas estórias e examinar esse aspecto com mais cuidado. Obrigada, Neil!

O artigo de Neil Romanek “A Tale of Two Star Wars” foi publicado em inglês na TwelvePoint.com. O site de Neil é: http://www.nealromanek.com/. Lá você vai encontrar também um artigo onde ele analisa a estrutura de algumas sequências de Guerra nas Estrelas (Introduction to the Sequence Structure)

2 Responses to The importance of what’s at stake / A importância do que está em jogo

  1. Mariana Camara says:

    Realmente, encontrar o seu blog foi um verdadeiro achado! Encontrei aqui dicas muito preciosas para tornar meu roteiro mais interessante não apenas para mim, mas principalmente para os leitores!

  2. Victor (Vctrop) says:

    Sempre preferi a trilogia original também, mas nunca tinha feito essa associação! O texto foi muito esclarecedor (especialmente nos últimos parágrafos).

    Obrigado!

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