Oficina de Criação Literária de Virgínia Cavalcanti

Fico feliz em divulgar que a Casa da Gávea, no Rio de Janeiro, vai promover uma nova edição da Oficina de Criação Literária (Elementos básicos para escrever ficção), de Virgínia Cavalcanti, em março.

Participei da oficina em 2004 e o curso foi determinante na minha decisão de me tornar uma escritora profissional. A Virgínia foi o meu primeiro ponto de contato com uma abordagem que trata a escrita como algo que pode ser aprendido através de ferramentas, processos e técnicas – na tradição das graduações e mestrados em escrita criativa (creative writing) dos EUA e Europa. Concordo que talento não se ensina, mas acredito que a capacidade de criação literária do escritor pode se beneficiar do entendimento e utilização destas ferramentas, assim como em qualquer outra arte.

A minha experiência na oficina foi sensacional. Virgínia, que tem mestrado em creative writing nos Estados Unidos, traz elementos teóricos que são exercitados na prática. Durante as aulas, aprendi as noções básicas da escrita criativa e pude usá-las como ferramentas para pensar e estruturar melhor os meus textos. Além disso, ela é uma professora muito legal, atenta e generosa.

Alguns escritores temem que o contato com essas teorias, técnicas e ferramentas possam de alguma forma tolher a criatividade. Alguns temem que seus textos acabem engessados em um “molde” e se tornem artificiais. Eu, sinceramente, não acredito nisso. Pelo menos, não sinto que isso tenha acontecido na minha escrita. Sinto, ao contrário, que esse conhecimento me ajudou de diversas formas – conhecimento que aprofundei muito no mestrado que fiz três anos depois de participar da oficina da Virgínia – pois me permitiu:

. Ter uma visão mais crítica do meu texto e uma clareza maior da minha intenção em cada texto, livro ou roteiro.

. Fazer escolhas conscientes e entender por que quero escrever tal estória de tal forma; o que quero explorar e sob que ângulo; escolher as ferramentas mais adequadas para produzir o efeito que desejo atingir. Eu não fazia isso antes, ou seja, escrevia quase mecanicamente (intuitivamente). Isso não está errado, mas, para mim, às vezes, era muito frustrante, pois o efeito que eu desejava não se produzia ou eu me perdia em construções mirabolantes.

. Ampliar meu arsenal de ferramentas, tais como: construção de personagem, construção de mundo, ritmo, em que tempo quero escrever, em que pessoa (primeira pessoa, em terceira pessoa, etc), como quero estruturar a estória de forma a atingir o impacto ou o efeito desejado, trabalhar os diálogos, subverter uma determinada ‘regra’ e muitas mais.

. Trocar com outros escritores, expor meus textos, ouvir e contribuir. Todos estão ali com o mesmo sentimento: o prazer da escrita que pode levar ou não a uma carreira profissional. Por isso é importante ouvir as críticas e comentários da professora e dos colegas, sem medo ou excesso de zelo. Embora às vezes doa, uma crítica pode ser muito mais útil e construtiva do que um elogio. Querer ouvir que seu texto é bom é mais do que natural, mas fechar os ouvidos às críticas, a meu ver, é perder a oportunidade de descobrir e trabalhar suas falhas, vícios e fraquezas. A avaliação crítica positiva me ajuda a evitar minhas próprias armadilhas – tendências e hábitos que não necessariamente são parte da minha “voz” autoral, são a minha “zona de conforto” que às vezes se torna repetitiva e ineficiente.

Estes são apenas alguns exemplos. A experiência da Oficina da Virgínia me rendeu uma oportunidade de trabalho concreta: depois dela, por exemplo, me senti preparada para encarar o convite de escrever profissionalmente e – de certa forma, por encomenda – participar de um projeto da Editora Escala, em 2005. Eles queriam lançar uma série de romances de banca (tipo Sabrina) escritos por autoras brasileiras. Fui selecionada e escrevi três romances (dois foram publicados e o terceiro não, pois o projeto acabou – não dava pra competir com as editoras internacionais). Esses livrinhos estão disponíveis no blog Mônica de Miranda – meu pseudônimo nestas obras, pois na época fazia um trabalho na área social e não queria misturar as estações.

A Virgínia sempre frisava que a oficina não era para você ser publicada, ou seja, ninguém ia sair dali direto para as livrarias. A oficina era para te instrumentar e contribuir para o desenvolvimento do ofício de escrever. Vale muito à pena. Se você puder participar, não perca. Na época, eu estava desempregada e absolutamente dura. Me candidatei e consegui uma bolsa. Não é fácil, mas não é impossível. Mesmo que você tenha que pagar, acho que é um investimento valioso. Mais tarde, fiz um investimento ainda maior no meu mestrado na Inglaterra. Continuo ralando muito mas hoje me considero uma escritora profissional. E devo isso, de certa forma, também à Virgínia e à Casa da Gávea, a quem sou muito grata.

A oficina tem início em 21/03 e vai até 09/05, sempre às 2ª feiras, das 14:30 às 17:00. Mas, por favor, confirmem essas informações no site da Casa da Gávea. Como eu disse, eles oferecem algumas bolsas integrais.

Não perca essa oportunidade e depois me conta como foi.

2 Responses to Oficina de Criação Literária de Virgínia Cavalcanti

  1. Mari says:

    Quando terá outra oficina?

  2. Monica Solon says:

    Não sei, mas fique de olho no site da Casa da Gávea – você pode se inscrever para receber a newsletter deles. Em geral, ela dá cursos lá.

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